"Narciso acha feio o que não é espelho"


Com os pés descalços, sentado no banco de uma praça, Alessandra está acompanhada do marido, do irmão, e de um amigo cadeirante, que ela afirma ser seu fiel escudeiro. Estas quatro pessoas têm algo em comum. Elas residem em uma praça na cidade de Uberlândia.


A aproximação da equipe de reportagem com o grupo foi suficiente para Alessandra interpelasse com a voz confiante “Quem são vocês?”.

Com a voz apreensiva ela indaga que “Não é bom confiar em jornalistas” e lembra que bastou uma reportagem com moradores de rua na cidade de Campinas, para que ela e os seus companheiros fossem convidados a sair do local e retornar a sua cidade de origem. Além de Campinas em São Paulo, Alessandra e seus amigos já viajaram para Americana, e algumas cidades do interior de Goiás.

“Eu sou feliz aqui!” afirma Alessandra que saiu de casa para morar nas ruas da cidade há dezenove anos. Seus pais residem num bairro periferico da cidade e ela visita eles frequentemente. “Minha mãe já ameaçou me trancar em casa para que eu não voltasse às ruas, mas eu não posso sair daqui, tenho meu marido e eu amo ele”. Ela comenta ainda que por conta de suas escolhas, percebe nitidamente o preconceito e o medo de algumas pessoas e em contrapartida, a boa vontade de outras que oferecem comida ao grupo que se instalou na praça.

Embora o assistente social da prefeitura, Alexandro, já tenha abordado o grupo para que eles saíssem das ruas e fossem encaminhados para um abrigo, Alessandra retruca que não irá e que o prefeito de Uberlândia não tem direito de tirá-la dali, porque ela é tão moradora da cidade quanto ele.

De acordo com outro assistente social que teve contato com Alessandra há alguns anos e preferiu não se identificar, a moradora de rua já foi internada em clinicas de recuperação para dependentes químicos, mas ela fugiu do local que era internada por diversas vezes. “Talvez a liberdade iluda estas pessoas contribuindo para que elas esqueçam as péssimas condições de vida que se encontram” conclui o assistente social.

Atitude Rock

Energia, poesia e muita diversão.

O Rock surgiu no fim da década de 40, nos Estados Unidos, misturando várias carateristicas da cultura negra americana e a popularidade da guitarrra eletrica alcançada na década de 50.

Pouco interessa a velha discussão se o primeiro registro do Rock se deu com Elvis, com ovo, ou com a galinha. Os efeitos sociais do Rock, geração após geração, me faz acreditar que este estilo ainda está sendo contruído em varias possibilidades e subgenêros musicais.


O rock já embalou hinos de liberdade, de amor, igualdade social, criticando abertamente a sociedade e seus preceitos provincianos. Pena que muita gente ainda acredita que o rockeiro é o “Lobo mau”: Desordeiro, bagunceiro, drogado, e aí se vai...

Existem rockeiros, pagodeiros, sertanejos, que se comportam de diferentes formas. Rock não é um rotulo. É um modo alternativo de perceber o mundo em volta. Até porque ser diferente nunca fez mal a ninguém. Vida longa ao Rock!

LIBERDADE DE ESCOLHA?

Nada é mias elementar e fundamental ao ser humano do que a liberdade de escolhas. Impedir o exercício deste direito é comparável a institucionalizar o autoritarismo ideológico e o fundamentalismo despótico, que historicamente foram responsáveis por inúmeros genocídios, e ainda hoje faz vítimas em alguns países do oriente.



Se não defendermos a nossa liberdade quanto direito fundamental ninguém fará isso por nós.

No entanto varias pessoas tem discutido exaustivamente, uma “pseudo liberdade”, que garante o direito de opinião de uma parcela da sociedade, mas que inutiliza a liberdade de outras pessoas.

Em entrevista o vocalista da Banda Detonautas afirmou que ninguém é obrigado a aceitar e a conviver com homossexuais. E não é mesmo. Mas a partir do momento que expomos nossa aversão ao modo de ser de uma pessoa, colocamos a nossa liberdade de conviver ou não com as outras pessoas acima da liberdade de cada um ser como é.



Inicialmente foi tolerado aos olhos do mundo o posicionamento de Adolf Hitler dizendo que o mundo não era obrigado a conviver com a presença dos judeus. Após o holocausto, varias pessoas se demonstraram sensíveis ao genocídio, mas não foi possível resgatar as vidas perdidas pelo preconceito.

Hoje percebemos a formação de grupos de repúdio e intolerância a orientação sexual de cada indivíduo e algumas vezes a TV contribui para isso. Recentemente à marginalização dos grupos sociais em um programa televisivo popularesco tem chamado a atenção. Entre outras pérolas, já teve participantes dete reality show dizendo que o HIV só era transmitido por homossexuais e que um participante descendente de negro “nem era tão negro assim”.



É um equivoco atribuir a liberdade as ações deliberadas de pessoas que proclamam seu preconceito e sua intolerancia ao proxímo.Adimitir atos como estes é dar ao opressor o consentimento de hostilizar e assim oprimir as minorias.

Impossibilitados de ascender às fogueiras, condenar quem não segue sua cartilha, inseri-los em câmaras de gás, que tal institucionalizarmos o preconceito com um novo nome: LIBERDADE DE ESCOLHA! Liberdade?


Um olhar grafitado sobre a cidade

O grafite é uma forma de expressão caligrafada e de desenho pintado em espaços públicos, difundido em nossa sociedade desde o Império Romano. Por volta de 1970 em Nova Iorque, algumas imagens grafitadas nas ruas da cidade ilustravam a opressão social vivenciada no cenário urbano pelos denominados "artistas de rua"

 É possível constatar nestas manifestações mensagens poéticas como as deixadas por Jean Michel Basquiat nos prédios de Manhattan, e também mensagens de cunho político e de demarcação de espaço. O grafite requer técnica e motivação, é comum as pessoas definir esta expressão visual como contravenção e vandalismo, no entanto é preciso salientar que um grafiteiro deve respeitar o espaço comum, exercer seu trabalho em locais apropriados para o grafite, e usar essa técnica para transmitir sua mensagem adequadamente e não para meras rixas territoriais entre gangs, torcidas, ou até mesmo para insultos vulgares e sem propósito. 
Os grafites, como o mostrado na foto acima em Belo Horizonte, entra em contato direto com o cenário urbano possibilitando através da arte uma reflexão social sobre o espaço que vivemos com ousadia e criticidade. Sem a devida permissão para ser realizado, toda forma de expressão nos muros da cidade é crime de acordo com a constituição federal no Brasil. Existe neste aspecto uma linha tênue que separa a denominada "arte de rua" e a "poluição visual". Não se trata de estilo artístico, estético, ou do exercício da liberdade de expressão, mas de se respeitar o espaço de cada indivíduo.